segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

23. Relacionamento abusivo: será que você está vivendo um?

Muito bem, esse assunto está  ficando cada vez  mais  comum, tem vários videos no youtube sobre isso, talvez eu poste os links dos principais que me chamaram mais atenção. Mas o  que é um relacionamento abusivo? Para ajudar vocês a identificarem um, eu dou duas palavras chaves: controle e rebaixamento do outro.   Geralmente são pessoas que já sofreram abusos em outras relações e pra não sofrer o mesmo, usam de controle, não lidam bem com frustração e precisam sempre estar por cima,  ou por possuírem excessiva insegurança, então se nutrem do que resta de auto estima do outro, ou de quem tem pouca pra "sobreviver", ou seja, se sobressair em detrimento do bem-estar do próximo. Relacionamento abusivo  não acontece somente em namoros, embora as  pessoas só se atenham a isso, pode ocorrer também no trabalho, família e até mesmo amizades. Muita gente se queixa disso anos depois da relação ter sido estabelecida.  Vamos ver alguns exemplos.


No trabalho: isso é chamado de assédio moral. O patrão SEMPRE tem um defeito pra por no funcionário. Por mais que ele se esforce, ele critica tudo que o empregado faz,  humilha ele diante dos outros, o que piora muito seu desempenho,  pois o desestrutura emocionalmente, deixando-o deprimido e sem vontade de continuar no emprego. Geralmente o  objetivo é fazer com que peça demissão.


No namoro:  tudo da pessoa é melhor. Imagine alguém que achava que não tinha sorte no amor, depois te manipula até pra te fazer dar chance, com chantagem emocional, depois de repente se vangloria de suas "conquistas", o  time dela/dele é melhor que o  seu, se o  seu ganha, não te cumprimenta e muda de assunto, se o  dela/e ganha, tira sarro de você, e nos termos de bissexualidade, critica e tenta desvalorizar sua sexualidade em prol da dela/dele.  Vejamos separadamente com os  dois gêneros:



Com homens - o cara critica sua forma de se vestir,  dá uma de falso conservador, te trata como se fosse propriedade dele. Te trai, se você desconfia, você é a louca, complexada, tem insegurança e baixa auto-estima, e quando você  procura outras pessoas, faz um escarcéu, porque você está dando mais atenção pras outras do que pra ele. Além de só te procurar pro sexo, mas pro lado intelectual, pouco te valoriza.


Com mulheres (lésbicas) - basicamente ela fica criticando a bissexualidade, dizendo que não existe, que se souber que a namorada é bi, vai terminar, se você tiver amigos  homens implica, acha que você está tendo um caso com ele, acha ruim de você comentar de ex namorada  ou ex crush, te acusa de tá de bibibi com a fulana, mas ela, nossa...ela pode falar à vontade das ex, das frustrações  com a última ex,do amigo homem, mas você não.


Na família: pai e mãe machista, que nunca deixa sair de casa ou não pode sem dizer horário, com quem você vai, mãe que fica ligando toda hora pra saber se você  já vai voltar pra casa, implicância por causa de diferentes crenças ou sexualidade,  tentativa de imposição de crenças, tirar os bens do filho ou filha se ele não "virar" hétero e  pressão psicológica sobre supostas punições divinas.



Na amizade: quase as mesmas coisas do namoro, com a diferença de que não rola beijo na boca
(mas pode ter rolado).  É mais frequente quando você gosta da pessoa no sentido afetivo e ela não. A pessoa parece  não gostar da ideia de você desejá-la, mas quer que você sempre a procure, mas nem sempre ela te procura, com a desculpa de falta de tempo e dinheiro. Eu acho que quando se sabe conciliar, se ajeita as coisas. É quando se está num plano de eu posso, mas você não pode.   Quer que você ouça os conselhos dela,  se arrisque a fazer coisas que não quer, mas ela não pode, porque pra ela é sempre mais complicado e ela foge de problemas, mas quer que você saia da sua zona de conforto...menos ela.  Você chama pra sair, diz que não tem dinheiro, mas ela sai com quem tem. E quando você diz que não vai mais chamar pra sair, ela inventa que não vai te fazer tal favor por causa disso. Quando você  pede algo a ela, é um sacrifício fazer e age como se você tivesse pedindo pra que desista da vida dela pra focar na sua, e você sabe  que não é verdade. Tudo que você fala é alvo de críticas e mal entendidos e vira briga. Até pra te consolar, consegue te fazer se sentir mal e desconsidera algumas das suas dificuldades, como se só dependesse de você evitar algumas coisas que não depende apenas de ti.  Bom, aí é uma situação que você precisa conversar com ela, ou assim fica muito complicado manter uma conexão.



Um relacionamento abusivo pode ser muito desgastante  pra pessoa. Vejo a maior incidência disso com mulheres em relacionamentos com homens, embora deva haver mulheres que façam joguinhos também com homens.   Vou por as principais características em tópicos:



- São egoístas e falta empatia com seus problemas, mas os deles devem ser levados em conta;
- Implicam com seu jeito de ser e só criticam pra ficar por cima de você;
- Fingem que estão afim, mas quando você tenta, te humilham;
- Geralmente fazem joguinhos (chantagem emocional), coisas do tipo: "se você  não fizer tal coisa no sexo comigo é porque  não me ama" ou numa opinião que te ofendeu, se fazem de ofendidos pra diminuir a culpa e dizem "você TEM QUE me aceitar com esse pensamento", mas eles não te aceitam com a  SUA  forma de pensar, e dizem que você está errada;
- Querem tudo nos termos deles, quase nunca um meio termo entre você e ele/ela ;
- Tentam te persuadir a acreditar neles, mas nunca levam em conta suas opiniões sobre si mesmo ou sobre eles, não dão espaço pra uma discussão de igual pra igual;
- Acham que sabem mais sobre sua vida do que você mesmo;
- Parecem ter inveja de alguma vantagem sua e tentam te diminuir por isso;
- Te culpam por tudo;
- Tudo deles é melhor, eles sempre sabem se conduzir mais do que você nos problemas, sempre sabem mais sobre a sexualidade alheia, sempre são os mais esclarecidos;
- Nunca pedem desculpas quando estão errados e falam que você nunca admite seus erros.


Existem dois tipos de abuso, o consciente e o  inconsciente. às vezes nem é intenção da pessoa, ela gosta de você, mas sempre quer que as coisas fluam mais pro lado dela e isso é chato e desgastante.  A única maneira no caso da amizade é dar um tempo pra ver como você se sente longe dessa pessoa pra ter uma clareza.SE caso ela não tenha feito isso intencionalmente e gostar de você e for REALMENTE  sua amiga , a pessoa vai maneirar se desculpar e tentar ser uma pessoa melhor. Se for diagnosticada a falsidade consciente, caia fora, sem mais. Entre meninas hétero tem muito disso, roubar namorado da outra, contar vantagem, falar mal da outra pelas costas, na frente, eu vivi algumas dessas coisas. Em namoro, trabalho, o  melhor é sair de vez. No começo é difícil pq em namoro você está apegada e com medo da solidão, mas a pessoa se beneficia disso. Na família,  se você for menor, o  jeito é não dar bandeira pra evitar atritos. Quando for maior e tiver condições  financeiras de sair de casa, ou se tiver um amigo ou amiga de confiança pra dividir casa, faça isso sem pestanejar.


Aqui estão alguns dos videos que gostei sobre o  assunto:









sábado, 14 de janeiro de 2017

22.Indícios de bifobia internalizada

Aqui estão algumas frases que as pessoas costumam dizer para  ocultar sua bissexualidade, conscientemente ou não:


Quando perguntadas sobre sua orientação, as respostas costumam ser...


1- Prefiro não me rotular: isso denotaria um certo medo de se dizer lésbica ou hetero, e de repente "mudar" de opção, porque há momentos em que queremos mais um do que o  outro, ou até mesmo ambos.

2- Eu gosto de pessoas: não gostam de dar o nome correto  para essa orientação.


3- Não é necessário se definir: mais uma vez, o  medo da "mudança" ou alternância do desejo entre um e outro.

4 - Eu sou monogâmico, não saio com ambos: fomos ensinados que bissexuais são promíscuos e não se envolvem, que não se apegam ou não levam ninguém a sério ou querem todos ao mesmo tempo.  Para  se livrar desse estigma, muitos bissexuais precisam dizer que são "certinhos" e só se relacionam com apenas um. Na verdade isso é relativo, tem aqueles não   monogâmicos que só conseguem se relacionar com um de cada, mas não é uma via de regra, não deve ser uma obrigação por medo do rótulo de volúvel e promiscuidade.

5- Preciso saber qual e minha "verdadeira" sexualidade: a pessoa se sentiria obrigada a ter uma preferência, devido à ideia de indecisão e ser confuso e viver "em cima do muro".

6- Não sei o  que eu sou: a mesma coisa da frase acima. Ninguém precisa escolher lado nenhum a menos que queira e se sinta melhor.

7- Eu me interessei pelo fulano que se identificava como "lésbico" ou gay pra não ficar viciada em sexo com homem: foi uma fala da personagem Alice Piesezcki ao tentar justificar seu namoro com o Lisa, homem heterossexual que se identificava como "lésbico". Quer dizer, se apago minha vontade de ter sexo com homens, então posso ser lésbica.



Como trabalhar isso tudo, caso esteja te incomodando? Empoderamento e convivência com outros bissexuais, com o  tempo isso poderá mudar, certamente vai.

Vou fazer um tópico só com frases de bifobia de supostos monossexuais.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

21. Rótulos, por que tê-los?



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Eu vejo tanta gente preocupada  com a questão se entitular "lésbica", "bi", "gay ou mesmo "hétero". As pessoas acham que precisam necessariamente experimentar pra poder se afirmar como algo, ignorando completamente a raíz de seus desejos, indícios...gente, vocês não precisam forçosamente beijar uma mulher pra saber que gostam. Quanto ao ser lésbica ou ser bi, deixem fluir, vivam seus desejos e experiências! Apenas isso! Parem de se preocupar e achar que "precisa saber pra poder gritar pro mundo",você fará isso no seu tempo. Não fique preocupado se as pessoas acham que você mentiu, pois a vida é sua e você não deve nada a ninguém.  Se você se questiona, as pessoas irão questioná-lo também. Se rotular é se limitar, pois hoje uma mulher é lésbica até manhã não ser mais, se descobrir bi, ou ser hétero e vice-versa. Sei que ter uma identidade é bom, mas não é uma regra. Permita-se apenas. Isso evitará dor de cabeça e excesso de dúvidas e questionamentos se caso se perceber querendo experimentar outras formas de prazer com um ser humano além da sua habitual.Afinal, rótulos são para produtos, e não para PESSOAS!!

20. A experiência de se apaixonar por um gay



Antes devo ressaltar que, uma coisa é querer converter um gay só pelo gosto de dizer que fez isso, e se apaixonar, sendo algo que não foi sua escolha planejada é uma experiência bem diferente. Saiba distinguir as coisas, pois uma se sofre, na outra não.

Se apaixonar por um gay é uma experiência árdua, trabalhosa, principalmente quando já se criou algum vinculo forte com essa pessoa. É muito complicado, principalmente quando não se tem muitas opções. Você fica dividida, fica em dúvida se se afasta ou continua a amizade com menor intensidade. Você percebe em alguns casos que ele não quer perder sua amizade, mas pra você  obviamente é muito mais difícil sustentar as duas coisas. São vários os fatores que dificultam: carência, tempo de vinculo, o afeto parece que fica mais intenso justamente porque tem o carinho da amizade e saber que  ter uma amizade assim  novamente é raro e exige tempo para encontrar.  No começo é tudo lindo, especialmente quando ele não sabe de nada.  Você tenta negar o  que sente, mas  chega uma hora que fica difícil esconder. Então ele por sua vez ou percebe e quer que você fale, você fala, ele até oferece algum respaldo e fica com você...mas com o  tempo , aparece outro boy que reafirma suas raízes e você começa a parecer um problema pra ele, porque ele se sente traindo sua própria natureza, porque de certa forma, sabe que fez isso só pra te agradar. É possível que ele tenha gostado de beijar? É, mas penas como amigo. Ele apenas se utilizou do afeto de amigo pra fazer isso, por isso foi mais fácil, e também porque em alguma experiência passada não foi algo traumático ou ruim demais. Mas lógico que o desejo sexual não existirá. No meu caso  eu já não gosto mesmo da ideia de ser beijada, sendo vista como um objeto sexual, por isso não me incomodava. Eu queria que alguém gostasse de mim com afeto, que me admirasse pelo que eu sou, mas com um desejo amigável, algo afetivo, que precisasse de mim.  Mas enfim, você precisa usar sua intuição pra saber se mesmo sendo gay há alguma chance de ter alguma experiência isolada, mas sem esperar muito. Se caso você seja como eu que não tem pra onde correr, não consegue conhecer novas pessoas, apenas espere. Pode ser que mais futuramente aconteça algo com vocês, pode ser que não. Tem gays que no decorrer da vida conseguem ter vontade sexual apenas com mulher, mas não é pra todos. No meu caso eu preferi deixar rolar. Não aconselho sair por aí procurando outro (ou outra no caso das bi) por desespero de causa, pode ser pior, pois pode não significar absolutamente nada pra você ou você se machucar ainda mais. Também não fique esperando algum resultado milagroso, deixe o tempo cuidar disso. Apenas deixe claro pra ele que não te pressione a esquecê-lo porque isso só traz mágoa e  estraga a amizade. É o  momento do cara ser compreensivo, como sempre foi, ou se não foi, começar a ser,. aí você verá se ele realmente é seu amigo e se vale a pena continuar a amizade. Converse com ele sobre o  que espera dele pelo menos como amigo e tente cultivar as antigas amizades que vieram antes dele (por ter mais tempo, são mais passiveis de compreender o que você sente). O importante é ninguém pressionar ninguém. O que tem que acontecer, acontece, no momento certo. Espero ter ajudado. 

Para quem quer saber mais sobre a complexidade deste tipo de situação, assista "A razão do meu afeto" (The object of my affection) e "Sobrou pra você" (The next best thing)



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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Jornada Bissexual/Primavera Bi 1ª Edição - Setembro/2016

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Vem aí o  maior evento Bi do ano  de 2016: a 1ª edição da Primavera Bi! Isso mesmo! Terá um ciclo de palestras, rodas de conversa e atividades até o  mês de novembro! É aberto à todas as pessoas bissexuais e a quem deseja saber um pouco mais sobre nós. Nesse evento você aprenderá que sim, a bissexualidade EXISTE e essa é nossa visibilidade! O nome Primavera Bi veio da época, pois o dia mundial da nossa visibilidade floresce junto com a chegada da primavera. Venha florescer conosco também!


 Segue a programação da Jornada do dia 24, depois do ciclo de debates e rodas de conversa da Primavera Bi de setembro a novembro. 


9ª (última) reunião #PrimaveraBi Visibilidade Bi/Pan SP

Jornada Bissexual - Palestras, Rodasde Conversa e Sarau

Links dos filtros da campanha #PrimaveraBi:

http://twibbon.com/Support/primaverabi-3
http://twibbon.com/Support/primaverabi-2

Link da Página Primavera Bi:
https://www.facebook.com/primaverabi



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sábado, 21 de maio de 2016

{Off topic} Flyer de divulgação da 14ª Caminhada de lésbicas e bissexuais de São Paulo






Estamos tendo reuniões constantes no Organizativo da  Caminhada para decidir o  que será melhor para todas nós nesse grande dia! Já tivemos 9 reuniões desde fevereiro. Este domingo, dia 22 de maio de 2016 será a 10ª e última reunião. Quem quiser participar, confira o  endereço e horário no evento no Facebook.